terça-feira, 22 de julho de 2008

PODER NÔMADE x RESISTÊNCIA CULTURAL

A resistência ao poder nômade deve ser dar no ciberespaço e não no espaço físico. O jogador pós-moderno é um jogador eletrônico. Um pequeno, mas coordenado grupo que poderia introduzir vírus e bombas eletrônicas em bancos de dados, programas e redes de autoridade, colocando a força destrutiva da inércia contra o domínio nômade. A inércia prolongada se iguala ao colapso da autoridade nômade em nível global. Tal estratégia não requer uma opção unificada de classe, e nem uma ação simultânea em varias áreas geográficas. Os mesmos niilistas poderiam ressuscitar a estratégia de ocupação mantendo como reféns dados em vez de propriedades. O mais óbvio é que aqueles que se engajaram na ciberrealidade formam em geral um grupo despotilizado.

Assim como a autoridade localizada nas ruas era combatida por meio de manifestações e barricadas, a autoridade que se localiza no campo eletrônico deve ser combatida através da resistência eletrônica. A maioria dos casos de infiltração no ciberespaço tem sido um simples vandalismo por diversão ou vingança pessoal contra uma fonte particular de autoridade. Aprimorando-se da autoridade legitimizada da “criação artística”, e usando-a como meio para estabelecer um fórum público para discutir modelos de resistência dentro da tecnocultura emergente, o produtor cultural pode contribuir para a perpétua luta contra o autoritarismo. Além disso, as estratégias concretas de comunicação por imagem /texto, desenvolvidas por uso de tecnologia que escapa pelas brechas da máquina de guerra, vão facilitar a criação de materiais explosivos para serem jogados nas casamatas político-econômicas por aqueles que se interessarem.

Cartazes, panfletagem, teatro de rua, arte pública – todos foram úteis no passado. Mas como mencionamos acima, onde esta o “público”, quem está na rua? A julgar pelo número de horas que uma pessoa comum assiste televisão, aparece que o público está envolvido com a eletrônica. O mundo eletrônico, no entanto, não esta de forma alguma totalmente estabelecido, e está ma hora de tirar vantagem desta fluidez através da criação. Antes que nos reste apenas a critica como arma.

A tendência do trabalhador cultural desiludido a recuar na direção da introspecção para evitar a questão iluminista: “O que deve ser feito da situação social à luz do poder sádico?”, é a representação da vida através da negação, não é que a libertação interior seja indispensável e desnecessária, mais sim que não pode se tornar singular ou privilegiada. Virar as costas à revolução da vida quotidiana, e colocar a resistência cultural sob a autoridade do eu poético, sempre levou à produção cultural que é mais fácil de coisificar e burocratizar.



Os trechos acima foram extraídos do livro Distúrbio Eletrônico, do Critical Art Ensemble, publicado pela Editora Conrad.

Um comentário:

Consultora Educacional disse...

Gosto muito dos artigos de ótima qualidade do seu Blog. Quando for possível dá uma passadinha para ver nosso Curso de Informática Online. Melissa.